Dor crônica exige atenção e avaliação especializada

26 de Outubro de 2026, 06:02

A dor que se prolonga por mais de três meses ou se manifesta de forma recorrente pode indicar um quadro crônico e não deve ser ignorada. A avaliação especializada é fundamental para identificar possíveis causas e orientar o tratamento adequado. O alerta é do médico especialista em Medicina da Dor, Dr. Guillermo Ramirez, em referência ao Dia Mundial de Combate à Dor, celebrado em 17 de outubro.

Um dos desafios no tratamento é o fato de a dor crônica nem sempre apresentar sinais visíveis, o que pode levar à incompreensão do sofrimento do paciente. “Um dos grandes problemas é que a dor crônica é invisível. Quem está ao redor muitas vezes olha para o paciente, vê que ele está andando, trabalhando ou realizando alguma atividade e questiona como ele pode estar sentindo dor. Esse paciente acaba sendo taxado de exagerado, preguiçoso ou até de estar inventando o que sente”, explica Guillermo.

Segundo o médico, a dor persistente pode continuar mesmo depois que a causa inicial deixa de existir, em um processo associado à sensibilização central. “Quando o paciente passa muito tempo sentindo dor, pode ocorrer um processo chamado sensibilização central. É como se o cérebro criasse uma memória da dor. Por isso, quando a dor persiste e não há resolução do problema, é importante buscar atendimento e tratamento”, alerta.

A tentativa de controlar o sintoma por conta própria também pode trazer riscos, tanto pelo atraso no diagnóstico quanto pelos efeitos do uso frequente de medicamentos. “A dor pode esconder doenças mais graves, inclusive alguns tipos de câncer, ou condições que poderiam ser revertidas com medidas menos invasivas. Quando a pessoa tenta controlar a dor sozinha ou simplesmente espera que ela desapareça, pode acabar atrasando o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento”, afirma o especialista. O uso prolongado de analgésicos e anti-inflamatórios também pode provocar problemas gastrointestinais, sangramentos e comprometimento dos rins.

Além dos efeitos físicos, a dor crônica pode comprometer o sono, o trabalho, os relacionamentos e a realização de atividades cotidianas. Para Guillermo, esse processo pode provocar perdas progressivas na autonomia e na vida social. “A dor crônica é, de certa forma, uma experiência de perda. A pessoa vai perdendo autonomia, identidade, trabalho, relacionamentos, viagens e atividades que faziam parte da sua vida. Aos poucos, ela começa a fazer adaptações para conseguir conviver com a dor e, quando percebe, já deixou de fazer muitas coisas”, explica.

O sofrimento também pode repercutir na saúde emocional. De acordo com o médico, existe uma relação entre o processamento da dor e áreas cerebrais envolvidas no humor e em outros comportamentos, além de possíveis alterações no sono. A falta de compreensão por parte das pessoas próximas pode agravar a situação, gerando frustração e solidão para quem convive com o problema.

A Medicina da Dor busca tratar o paciente de forma integral, considerando não apenas o sintoma, mas também os impactos sobre sua rotina e qualidade de vida. O acompanhamento pode envolver cuidados com o sono, a alimentação, a mobilidade e a atividade física, além de estratégias para que o paciente retome atividades importantes em sua vida. “A Medicina da Dor acompanha o paciente de uma maneira horizontal e por longos períodos, pensando em autonomia, qualidade de vida, mobilidade e redução da dor. Para isso, precisamos entrar na vida do paciente, e não olhar apenas para a dor”, conclui o especialista.

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