Especialista alerta para dores na coluna em estudantes

28 de Janeiro de 2026, 06:00

O retorno às atividades escolares tem trazido à tona um alerta importante na área da saúde: cresce o número de crianças e adolescentes que apresentam dores e lesões na coluna vertebral. De acordo com o fisioterapeuta Dr. Ewerton Caroso, membro da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna e professor de pós-graduação em Osteopatia, a procura por atendimento de estudantes cada vez mais jovens com queixas musculoesqueléticas tem aumentado de forma significativa.

Segundo Dr. Ewerton, o problema está diretamente ligado a hábitos inadequados no ambiente escolar e fora dele. “O uso de mochilas excessivamente pesadas, postura incorreta ao sentar em sala de aula e o tempo prolongado em frente a celulares, tablets e computadores criam uma sobrecarga precoce na coluna”, explica Dr. Ewerton Caroso. Esses fatores, quando mantidos de forma contínua, podem desencadear dores lombares, cervicais, desalinhamentos posturais e até lesões estruturais.

O fisioterapeuta destaca que muitas dessas alterações, se não identificadas e tratadas precocemente, podem se prolongar até a vida adulta. “É um erro achar que dor nas costas em criança é algo normal ou passageiro. O corpo ainda está em fase de crescimento e adaptação. Ignorar os sinais pode gerar consequências a médio e longo prazo”, alerta.

Entre as principais orientações estão a escolha de mochilas adequadas ao tamanho e peso da criança, a organização do material escolar para evitar excesso de carga, além de atenção à ergonomia em casa e na escola. A prática regular de atividades físicas, alongamentos e pausas no uso de telas também é fundamental para a saúde da coluna.

Um estudo transversal brasileiro, publicado no Brazilian Journal of Physical Therapy em fevereiro de 2024, revelou que a prevalência em um mês de dor musculoesquelética incapacitante - ou seja, que limita atividades - em crianças e adolescentes foi de 27,1 %. Dentre esses casos, a coluna (região das costas) foi a área mais afetada, representando 51,8 % dos relatos.

O especialista alerta para o risco de escoliose. “A escoliose é um exemplo claro de como o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto mais cedo a alteração na coluna é identificada, mais simples e eficaz se torna o tratamento, evitando a progressão da doença e possíveis complicações no futuro. Orientações como se olhar no espelho, perceber se um ombro está mais alto que o outro, se a cintura parece desalinhada ou se há alguma assimetria aparente podem ajudar na identificação precoce. Com informação, atenção e acompanhamento profissional, é possível diagnosticar cedo, tratar corretamente e garantir mais qualidade de vida às crianças e adolescentes”, finaliza.

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