Manter a saúde em dia é fundamental para evitar doenças crônicas

02 de Abril de 2025, 06:00

O estilo de vida moderno levou a humanidade a desenvolver doenças crônicas e disfunções metabólicas que, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), têm se tornado as principais causas de morte e incapacidade em todo o mundo. E, contra essas doenças, as recomendações médicas são praticamente unânimes: mudar e melhorar hábitos de vida. As chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, as cardiovasculares e as respiratórias crônicas podem ser consideradas “previsíveis”, passíveis de ser evitadas, quando fatores de risco conhecidos aumentam significativamente a probabilidade de seu desenvolvimento.

Segundo o professor Estélio Henrique Martin Dantas, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS) e dos cursos de Medicina e Educação Física da Universidade Tiradentes (Unit), essas doenças geralmente resultam de uma combinação de fatores genéticos, estilo de vida e ambientais, sendo que a previsibilidade reside na capacidade de identificar e monitorar esses fatores de risco. “Embora a genética desempenhe um papel na predisposição individual, diversos estudos científicos demonstram que os hábitos de vida são preponderantes na prevenção dessas doenças. As intervenções focadas no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física regular e a abstenção do tabagismo contribuem para reduzir significativamente o risco de desenvolver DCNTs ou minimizar seus impactos”, explica Estélio, tomando como exemplo o fumo, considerado um fator de risco previsível para DPOC e diversos tipos de câncer. “A cessação do hábito pode drasticamente reduzir esse risco, independentemente da predisposição genética”, completa.

Esse cuidado esbarra muitas vezes no comportamento de muitas pessoas, que tendem a ignorar alguns sintomas ou sinais de alerta emitidos pelo próprio organismo para o possível surgimento de alguma doença ou problema de saúde. Essa atitude, segundo Estélio, pode ser explicada pelo frenético e intenso ritmo da vida moderna, entre outros fatores. “A constante pressão por produtividade e a demanda por proatividade levam muitas vezes à negligência das necessidades psíquicas e somáticas, que são fundamentais para a manutenção da saúde. Fatores como estresse crônico, falta de sono, alimentação inadequada, sedentarismo e ausência de momentos de relaxamento contribuem para o enfraquecimento do sistema imunológico e aumento da vulnerabilidade a doenças. Em outras palavras, a priorização constante da produtividade em detrimento do bem-estar físico e mental cria um ambiente propício ao surgimento de problemas de saúde”, diz o professor, citando uma frase do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. "O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem".

Cuidar da saúde ou da doença?

“O ‘cuidar da doença’ foca na resolução de problemas de saúde após seu aparecimento, adotando medidas corretivas e paliativas. Já o ‘manter-se saudável’ implica uma postura proativa e preventiva, voltada para a promoção do bem-estar e a prevenção de doenças. Enquanto ‘cuidar da doença’ é um processo reativo, ‘manter-se saudável’ é um processo contínuo e ativo de autocuidado, que considera todos os aspectos da vida, incluindo a alimentação, o exercício físico, a saúde mental e o bem-estar social”, detalha Estélio.

 

 

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