Pesquisa propõe uso mais saudável da tecnologia por crianças

28 de Maio de 2026, 06:01

A presença cada vez mais intensa das telas na rotina infantil tem provocado debates importantes sobre os impactos da tecnologia no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Entre celulares, tablets e jogos digitais, especialistas alertam para a necessidade de equilíbrio entre o mundo virtual e as experiências essenciais da infância. Atento a esse cenário, o Centro Universitário Estácio desenvolve um projeto que propõe reflexões e orientações sobre o uso consciente da tecnologia dentro de casa e no ambiente escolar.

A pesquisa “Menos Telas e Mais Janelas: práticas pedagógicas e desenvolvimento infantil na era digital”, coordenada pela professora doutora da Estácio Laísa Dias, investiga como o uso excessivo de dispositivos eletrônicos pode impactar o desenvolvimento pedagógico, social e emocional de crianças e adolescentes. O estudo também propõe caminhos para que famílias e educadores adotem práticas mais saudáveis de convivência com a tecnologia.

O objetivo central do projeto é conscientizar pais e responsáveis sobre a necessidade de mediação no uso das telas. “Não se trata de proibir a tecnologia, mas de orientar o uso. A criança precisa de limites claros de tempo, de conteúdo adequado para a idade e da presença dos pais nesse processo”, explica a professora da Estácio.

Segundo Laísa Dias, quando o uso ocorre sem supervisão ou por períodos prolongados, as telas podem interferir em aspectos importantes do desenvolvimento infantil, como a atenção, o sono e as habilidades de interação social. Por isso, o projeto defende que o contato com dispositivos digitais seja organizado em horários definidos e com aplicativos apropriados para a faixa etária.

O tema ganha ainda mais relevância com a entrada em vigor do chamado Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, estabelecido pela Lei nº 15.211/2025, Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. A legislação cria regras mais rigorosas para a proteção de menores em ambientes virtuais e determina que plataformas digitais adotem mecanismos de segurança para evitar riscos online.

A fiscalização dessas medidas ficará sob responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que foi transformada em agência reguladora pela Lei nº 15.352/2026. Entre as exigências estão a verificação de idade e a vinculação das contas de menores de 16 anos aos perfis dos responsáveis. Plataformas que descumprirem as novas regras poderão sofrer advertências, multas que podem chegar a 10% do faturamento ou até R$ 50 milhões por infração, além da possibilidade de suspensão das atividades no Brasil.

Enquanto a legislação fortalece a proteção digital, o projeto da Estácio reforça que a participação ativa da família continua sendo o principal fator de segurança para as crianças. Entre as orientações apresentadas pela pesquisa estão a definição de horários para uso de dispositivos e a escolha de aplicativos educativos. Uma das ferramentas que podem ajudar nesse processo é o aplicativo Google Family Link, que permite aos pais monitorar o uso do celular dos filhos, definir tempo de tela, aprovar downloads e bloquear aplicativos inadequados.

Com o projeto “Menos Telas e Mais Janelas”, o Centro Universitário Estácio pretende ampliar o debate sobre educação digital e incentivar práticas que garantam um desenvolvimento infantil mais saudável em meio à era tecnológica.

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